Leia com os ouvidos

Silêncio de 4 minutos e 33 segundos

Quando aparentemente todas as possiblidades melódicas e harmônicas da música tonal parecem ter se esgotado, a música contemporânea vem tentado se reinventar por meio de movimentos de caráter performático. Isso é bem emblemático em uma das composições do experimentalista John Cage, chamada 4′33″, composta no ano de 1952. Ela consiste em três movimentos em que […]

Quando aparentemente todas as possiblidades melódicas e harmônicas da música tonal parecem ter se esgotado, a música contemporânea vem tentado se reinventar por meio de movimentos de caráter performático. Isso é bem emblemático em uma das composições do experimentalista John Cage, chamada 4′33″, composta no ano de 1952. Ela consiste em três movimentos em que nenhuma nota é executada, com uma partitura repleta de pausas sucessivas.

:: Orquestra muda
Na exibição abaixo, é realizado um concerto com a peça de John Cage, televisionado pela rede de televisão BBC. Nota-se, na execução, que 4′33″ não é propriamente silenciosa, pois diversos ruídos externos são produzidos, o que nos leva a um outro nível de fruição do som. Ouvem-se cochichos, pessoas tossindo de propósito (ou alguém à beira da morte), o maestro fazendo a platéia rir e até mesmo o barulho das folhas de partituras sendo viradas. Essa epopéia afônica agradou o público londrino, que, empolgadíssimo, bateu palmas quase que por 4 minutos e 33 segundos.

:: Ao piano
Na “interpretação” da peça 4′33″ pelo pianista David Tudor, percebe-se um viés muito mais sutil. Quase nada é ouvido, tanto que chama a atenção de quem o assiste o barulho do relógio e até o ruído das mãos do músico roçando em sua calça.

:: Calado já está errado
Sem dúvida, a hipótese de uma música somente de silêncios virou um prato cheio nas mãos dos desocupados que buscam atenção por aí. Abaixo uma releitura de gosto duvidoso da obra de John Cage, também de gosto duvidoso.

One Comment

  1. Elson Maranhão
    30 Junho, 2008 at 6:48 pm | Permalink

    ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….esses são os meus comentários sobre a peça 4′33″ de Johon Cage. Depois desse concerto, além de marcar uma consulta com um otorrino, vou também marcar com um psiquiatra.

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